Esse amor, vi-o recentemente nos meus «dossiers» da Primária, onde desenhava sempre uma casa, nunca igual e nunca "normal". Aparecem de todos os tamanhos e feitios, mesmo nas páginas destinadas só a textos. Dentro das casas vivem histórias e quem habita as histórias e as casas? As pessoas.
Julgo que os nossos abrigos, mesmo para quem muda de casa frequentemente, são importantes Porque nos recebem -sempre - e aos nossos amigos. Porque nos inspiram. Porque abrigam os nossos sonhos e neles descansamos das nossas lutas e carregamos as baterias necessárias para prosseguir. Estes abrigos são para muitos uma estrada, uma rua ou um beliche. Mas essa é outra história que não esta. São abrigos. São as casas.
Assim, não foi pela forma como está escrito este livro que ele me conquistou. Uma edição talvez mais cuidada ou essa intenção por parte do autor tornaria o livro com menos páginas. Na minha opinião existe muita informação repetida, o que faz sentido quando se escreve para rádio ou televisão, mas não quando se pode voltar atrás e ler outra vez. Mas se há desperdício de páginas e informação, as ideias ficam. Talvez seja intencional.
De qualquer forma, este livro mudou realmente a minha vida.
E porquê?
Porque nunca tinha pensado em arrumar decidindo com o que ficar e não o que deitar fora. Concretamente e a pensar em usar o espaço para viver - já - os meus sonhos.
E também nunca me teria ocorrido arrumar por categorias, em vez de por divisões. Ou arrumar a roupa na vertical. Ou agradecer aos objectos e deixá-los partir mesmo, todos os que realmente não me "fazem vibrar".
O que a autora propõe é uma verdadeira transformação.
Para quem estiver à procura de uma e neste âmbito, aqui encontra sugestões diferentes do "já visto". Pelo menos para mim.
Uma ressalva para três coisas que me chocaram:
- Perceber que no Japão, apesar de as pessoas terem casas mínimas, consomem imensos objectos sem me parecer notório na obra que exista uma preocupação nos efeitos que o mega-consumo opera no planeta Terra.
- Não existir, expressa, uma real preocupação em reciclar ou dar nova vida a coisas. O deitar fora, que percebo e que faz parte do método da autora, pouco relevo dá à forma como se deita fora e sua relação com o planeta.
-Estranhar a não existência ou a pouca importância dada a palavras como Terra, Arte, Literatura.
De resto e com estas ressalvas (que me preocupam mais por ser um "best-seller"), julgo que é um livro que merece - no bom sentido - a discutível etiqueta «Auto-ajuda».
Ao contrário de algumas pessoas que escrevem e que são muito apaixonadas pela Literatura, estes livros não me ofendem nada. Se fizerem as pessoas ler, óptimo. Se fizerem as pessoas ajudarem-se, maravilhoso.
E, afinal, que mal tem a auto-ajuda e o polimento do ser e do seu ambiente?
No vídeo da autora Marie Kondo podem ver uma das coisas mais curiosas: como dobrar de forma a manter tudo visível, ocupando o mínimo de espaço possível. E sempre de forma a perder o mínimo de tempo possível. No meu caso, isso não tem preço.
Agradeço o facto de, embora não tenha percebido antes, viver numa casa que tem o dobro do espaço que eu considerava!
foto: tidymom.net


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